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O tal do COE... Parece renda fixa, mas anda com a galera da renda variável


Tem um produto no mercado financeiro que vive aparecendo por aí com cara de investimento inteligente, o tal do COE, Certificado de Operações Estruturadas. O nome já assusta, não? Parece complicado mesmo. E muitas vezes é. Mas o que tem feito o COE virar figurinha carimbada nas ofertas de bancos e assessorias é justamente isso, ele parece sofisticado, diferente, exclusivo. Vem embrulhado num pacote bonito, prometendo retornos da renda variável com a segurança da renda fixa. Quem não quer?


COE: Cavalo de troia?


O problema é que, na prática, o COE pode ser um presente de grego. Em muitos casos, o investidor fica com o capital travado por anos e, no fim, se o cenário desenhado lá atrás não acontecer, ele recebe só o valor investido, e olhe lá. Nada de lucros, nada de dividendos, nada de juros. Só o dinheiro de volta, enquanto o tempo passou e outras oportunidades renderam mais. E nem dá pra sair antes, a liquidez é quase zero. Ou seja, comprou, fica até o fim. A não ser que você tope vender no mercado secundário com deságio. E aí vai doer.

Mesmo assim, o COE é um produto muito oferecido pelas instituições financeiras. E o motivo é simples: ele gera boa remuneração pra quem vende. Quanto mais sofisticada for a estrutura, mais margem pra casa. E como é difícil pro cliente comum entender todos os detalhes, muita gente compra sem saber exatamente no que tá entrando. Foi justamente por isso que, nas últimas semanas, choveu crítica no LinkedIn contra assessores que empurraram COEs só pra bater meta. Teve gente sugerindo boicote ao produto. E embora o COE não seja, em essência, um produto ruim, o uso errado dele pode ser um desastre.

É aí que entra o papel do assessor: explicar, mostrar, esclarecer. E o papel do cliente é perguntar tudo e mais um pouco. Entender os cenários, saber qual o ativo de referência, quando tem chance de ganho e quando pode sair de mãos abanando. E se o assessor não souber responder com clareza, já é um sinal de alerta. Não tem vergonha em admitir que não entendeu, tem vergonha é em perder dinheiro por orgulho.

No final das contas, tem muita opção boa no mercado com potencial igual ou até melhor que o COE e que você pode resgatar quando quiser. Tesouro IPCA, fundos multimercado, ações que pagam dividendos, ETFs, debêntures isentas… Tudo isso pode entregar mais retorno, com mais transparência e sem o trava-trava.

COE não é vilão, mas também não é um mocinho. É um produto que precisa ser usado com responsabilidade. E como qualquer coisa no mercado, quem entende o que tá fazendo sempre investe melhor. Então, na dúvida, antes de aplicar, estude e pergunte. Se o produto for bom de verdade, ele vai continuar lá amanhã. Sem pressa, sem pressão e sem pegadinha.

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